Nossa evolução...
O trike foi inventado no final da década de 70 por um fabricante de asas-delta da Califórnia, que teve a idéia de adaptar um triciclo motorizado a uma de suas asas, utilizando um motor de 15hp. Em 1980, Antero de Jesus, praticante de vôo livre do Rio de Janeiro, comprou um destes trikes, que tornou-se então o primeiro trike do Brasil.
Heckel
Capucci, diretor da AeroDelta e engenheiro projetista que no
início da década de 80 projetou e construiu protótipos asa-delta voltados para
competições (“Gávea 1” e “Gávea 2” - esta com 90% de pano duplo), teve a idéia
de construir um trike. Junto com seu irmão, o engen
heiro
mecânico Helcio Capucci, iniciou a fase de projeto, sendo que o os parâmetros e
o conceito adotados foram bem diferentes do trike americano. A estrutura seria
composta por um conjunto tri-articulado, em que tubos trabalhavam a compressão e
cabos de aço a tração (no modelo americano, os tubos trabalhavam a flexão).
Com esta idéia, reduziu-se o peso da estrutura do trike para 12 kg. Ele também era totalmente desmontável e transportável em rack automotivo. A motorização disponível na época era um motor de kart de 12hp. Uma asa de vôo livre sofreu reforços nos cabos laterais, quilha, e bordo de ataque - estava pronto o primeiro trike brasileiro!
Iniciou-se então a
fase de testes de pista e, após alguns ajustes, finalmente o protótipo decolou
em Saquarema - Rio de Janeiro, em 1982. Este trike voou
50 horas com sucesso,
mas o motor de kart mostrou
ser pouco confiável.
Adapto
u-se então um
motor de moto RX-180, de 18hp, no qual fazíamos
um trabalho envolvendo
corte e preparo da carcaça, e redução por corre
ias em V. O projeto
do hélice foi refinado com a ajuda de um eng.º aeronáutico do CTA, e
finalmente
conseguimos um bom produto. Como
o conjunto completo
pesava em torno
de 30kg, foram utilizadas asas de vôo-livre reforçadas. Dezenas deste
trikes foram
construídos.
Em 1984,
construímos a primeira asa de trike, que era uma asa com gran
de
área vélica (200 pés2) e 70% de pano duplo. Porém, devido ao seu
tamanho, esta asa era um pouco lenta e somente 4 modelos foram fabricadas. Neste
meio tempo, Antero de Jesus, construiu um trike mais robusto com motor Robin de
50Hp, e dois lugares. Era o primeiro trike bi-place brasileiro. Nesta época
surgiram os motores Cuyuna de 30hp, que além da baixa
potência, eram pouco confiáveis. Os Kawasaki de 30 e 40 hp também foram
bastante utilizados por ultraleves até que, em 1985, finalmente apareceram os
primeiros motores Rotax. Estes, pela sua confiabilidade,
entraram com força no mercado e até hoje continuam a liderar segmento mundial de motores na
aviação experimental.
Também construímos o primeiro trike lado a lado, para o qual utilizamos motor VW1600 com redução por polia V. Porém, sentimos que o motor Rotax, por não envolver tanto trabalho na preparação, era mais adequado.
Em 1985 projetamos e construímos um trike bem robusto, biplace, com motor Rotax, que seria o primeiro trike brasileiro a ser fabricado em série. Diferentemente do modelo monoplace, este trike não tinha cabos de aço, tubos trabalhavam a tração e compressão, e foi adotado pela primeira vez o sistema de articular o mastro para prender e subir a asa na base do motor, ao invés da articulação tradicional na estrutura do banco. Utilizamos nossas asas “floater” de 200 pés2, que foram recalculadas para 4,5g, mas continuavam a apresentar baixa velocidade. Construímos então uma asa intermediária de 165 pés2 que formaria a base do modelo Seagull.
Foram construídas também asas rápidas (modelo XC), com 90% de pano duplo, novo perfil aerodinâmico, além de incorporar várias melhorias surgidas nas asas de vôo livre, de forma que conseguimos um conjunto com performance ao nível dos melhores trikes do mundo.

A queda nas vendas fez com que encerrássemos nossas atividades em meados da década de 90, mas ao final de 2002 reiniciamos o projeto desta asa incorporando novos avanços: novo perfil, menor área vélica, novo corte na vela, perfis aerofolizados e leme. Deste projeto nasceu a asa LAMINAR, que após os testes revelou uma performance excelente.

Já a asa MIDI foi criada como uma asa intermediária, evolução do modelo Seagull, e que contou com novo perfil, menor área vélica, maior percentagem de pano duplo, maior número de talas, e diversas melhorias, que a transformaram num modelo estável, e com ótimas características de performance.
O triciclo também sofreu diversas modificações, sendo as principais: bancos independentes de fibra de vidro para maior conforto do piloto e passageiro, tanque de 40l transversal para futura colocação de carenagem integral, perfis aerofolizados nos montantes e tirantes inferiores, mudança no angulo para um pouso mais suave.
Hoje, nosso produto é o fruto de mais de 20 anos envolvidos no projeto e construção de trikes e asas, sempre voltados para a performance, segurança, e economia, trinômio este que define todos os nossos parâmetros e atitudes.